Covid-19 gerou retrocesso de uma década na participação da mulher no mercado de trabalho

Brasília, sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021 - 9:49      |      Atualizado em: 17 de fevereiro de 2021 - 10:53

ECONOMIA

Covid-19 gerou retrocesso de uma década na participação da mulher no mercado de trabalho


Por: Da Redação

Cepal aponta que pandemia teve impacto negativo na ocupação e nas condições de trabalho das mulheres na América Latina e no Caribe. Vice-líder do PCdoB cobra implantação de políticas públicas para garantir emprego e renda ao público feminino.

Arquivo EBC

O impacto da pandemia do novo coronavírus sobre o mercado de trabalho na América Latina e no Caribe atingiu as mulheres com mais intensidade, gerando um retrocesso de mais de uma década nos avanços alcançados em termos de participação no mercado de trabalho.

A conclusão é do "Relatório Especial COVID-19 N⁰ 9: A autonomia econômica das mulheres na recuperação sustentável e com igualdade", divulgado na quarta-feira (10)pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal). Segundo o estudo, a crise impactou negativamente as ocupações e as condições de trabalho da mão de obra feminina.

Para a vice-líder do PCdoB na Câmara, deputada Perpétua Almeida (AC), o perfil observado pela evolução da curva dos níveis de emprego no Brasil é um reflexo desta realidade. "A pandemia fez o desemprego explodir no país, atingindo 14 milhões de brasileiros. Nesse cenário de aumento da pobreza e da desigualdade, as mulheres foram as mais prejudicadas por terem de deixar o trabalho para cuidar de suas casas e filhos. Muitas empregadas domésticas ficaram impossibilitadas de realizar o trabalho à distância", avaliou.

O documento elaborado pela Cepal ressalta que a taxa de participação no mercado de trabalho das mulheres foi de 46% em 2020, enquanto a dos homens foi de 69% (em 2019 foi de 52% e 73,6%, respectivamente). Calcula-se, também, que a taxa de desocupação das mulheres chegou a 12% em 2020, percentual que sobe para 22,2% se for assumida a mesma taxa de participação no mercado de trabalho das mulheres em 2019.

A explicação para esse fenômeno, registra o estudo, é que no ano passado houve uma contundente saída das mulheres da força de trabalho, que, por ter que atender às demandas de cuidados em seus domicílios, não retomaram a procura por emprego. A Cepal estima que cerca de 118 milhões de mulheres latino-americanas estariam em situação de pobreza, 23 milhões a mais do que em 2019.

Trabalho doméstico

De acordo com o estudo, o trabalho doméstico remunerado, que se caracteriza por uma alta precariedade e pela impossibilidade de ser realizado à distância, foi um dos setores mais afetados.

Em 2019, cerca de 13 milhões de pessoas se dedicavam à atividade (das quais 91,5% eram mulheres). No total, o setor empregava 11,1% das mulheres ocupadas da região. No entanto, no segundo trimestre de 2020 os níveis de ocupação no trabalho doméstico remunerado caíram -24,7% no Brasil; -46,3% no Chile; -44,4% na Colômbia; -45,5% em Costa Rica; -33,2% no México; e -15,5% no Paraguai.

Nesse contexto, Perpétua Almeida cobra do governo Bolsonaro a adoção de políticas voltadas à recuperação do mercado de trabalho. "É urgente implementarmos políticas públicas para garantir emprego e renda aos trabalhadores, com foco especial ao público feminino para que possamos restabelecer igualdade de gênero no mercado de trabalho na América Latina e no Caribe", afirmou.

Segundo a Cepal, 56,9% das mulheres na América Latina e 54,3% no Caribe estão ocupadas em setores nos quais é previsto um maior efeito negativo em termos de emprego e de renda por causa da pandemia.
 









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