Brasília, terça-feira, 28 de julho de 2020 - 15:28 | Atualizado em: 4 de agosto de 2020 - 11:4
ECONOMIA
PCdoB quer que MP e TCU investiguem operação entre BB e BTG Pactual
Por: Christiane Peres
Legenda quer apurar lisura da cessão de carteira de créditos do Banco do Brasil para o banco BTG Pactual no início de julho. Pedido de informações sobre o caso também foi enviado ao ministro da Economia, Paulo Guedes.
A bancada do PCdoB na Câmara encaminhou ofício nesta terça-feira (28), ao Ministério Público pedindo que o órgão, junto com o Tribunal de Contas da União (TCU), apure a cessão de carteira de créditos do Banco Brasil para o banco BTG Pactual, realizada no dia 1º de julho.
Apesar de ser uma transação normal, esta foi a primeira vez que o Banco do Brasil realizou a cessão de carteira a um banco que não é de seu conglomerado. Além disso, o BTG Pactual foi fundado na década de 1980 pelo atual ministro da Economia, Paulo Guedes. A carteira cedida tem valor contábil de R$ 2,9 bilhões e o impacto financeiro da transação será de R$ 371 milhões, antes dos impostos, que serão lançados no terceiro trimestre.
Para a líder do PCdoB, deputada Perpétua Almeida (AC), é fundamental apurar a lisura deste processo.
“Acionamos o MP junto ao TCU para que apure se houve corrupção nesta operação entre o BB e o Pactual, do qual Guedes foi sócio. Não é estranho que a carteira de créditos do BB, no valor de R$ 2,9 bi, tenha sido vendida para o BTG Pactual por R$ 371 milhões? Guedes terá que se explicar”, afirmou a parlamentar.
A legenda aponta no ofício que pode ter havido desvio de finalidade na operação, ferindo os princípios da impessoalidade e da eficiência, previstos no art. 37 da Constituição, além de aparente prejuízo aos cofres públicos.
Nesta terça-feira (28), o Banco do Brasil divulgou nota à imprensa dando mais detalhes sobre a venda da carteira. Segundo o BB, a cessão da carteira ocorreu após processo de concorrência que contou com a participação de quatro empresas especializadas neste mercado. “O cessionário escolhido foi aquele que apresentou a maior oferta de pagamento à vista e o maior percentual do rateio de prêmios futuros”, disse o banco.
Pedido de informação
A legenda protocolou ainda um requerimento de informações ao ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a operação.
Entre outros pontos, os parlamentares solicitam acesso ao processo administrativo que gerou a realização da operação; questionam a transparência e precificação da transação; os instrumentos utilizados para garantir a ampla concorrência; e se a negociação foi avalizada previamente pelo TCU, Banco Central ou CGU.
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