Brasília, terça-feira, 25 de agosto de 2020 - 20:28
PALAVRA DA LÍDER
Mulheres unidas contra retrocessos
Por: Perpétua Almeida*
Faz 86 anos que o direito ao voto feminino foi reconhecido no Brasil. Desde essa conquista estratégica, lutamos para que cada vez mais mulheres ocupem espaços de poder. Após tantos avanços, é inaceitável que uma parlamentar apresente o Projeto de Lei (PL) 4213/20 para acabar com a reserva mínima de 30% das vagas para candidaturas femininas pelo sistema proporcional.
O machismo no país é tão estrutural que muitas mulheres o reproduzem sem saber. Esse projeto revela o desconhecimento da luta por mais mulheres na política e das dificuldades para que candidaturas femininas cheguem ao Parlamento.
O direito às cotas é uma conquista das mulheres que vieram antes de nós. Por elas e por aquelas que ainda virão, não podemos aceitar retrocessos. O nosso trabalho deve ser para que as cotas se tornem cada vez mais efetivas.
Nosso papel é defender condições igualitárias de participação política para todas nós. A bancada feminina cresceu graças a ações afirmativas: reserva de candidaturas combinada com a destinação efetiva de recursos, conquistada na última eleição com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Se não existisse obrigatoriedade do preenchimento mínimo de 30% das candidaturas por mulheres, muitas de nós sequer estaríamos aqui. Precisamos lutar por nós e por todas que não têm o privilégio de estar no Congresso. Ocupamos a posição 132 entre 190 países em termos de participação de mulheres no Parlamento, atrás até mesmo da Arábia Saudita, conforme o ranking de representatividade feminina no legislativo elaborado pela organização internacional União Interparlamentar.
Sonhamos com uma política com a cara do Brasil, que represente toda a nossa diversidade. No nosso país, conforme estatísticas oficiais, as mulheres são 51,8% da população, sendo 44% dos filiados a partidos políticos. Representam, entretanto, apenas 14,8% dos senadores e 15% dos deputados federais; 12% dos prefeitos e 13,5% dos vereadores. Mulheres negras, indígenas, trans, com deficiência e periféricas são ainda mais subrepresentadas.
No mundo, a situação começou a melhorar. As cotas vêm sendo muito importantes nesse processo. Segundo Julie Ballington, representante do Programa para Parceria entre Homens e Mulheres da União Interparlamentar (IPU), nos países que adotam o sistema de cotas, as mulheres conseguem, em média, 21,7% das cadeiras nos parlamentos, enquanto nos que não adotam, ocupam apenas 11,8%.
É hora de lutarmos por mais conquistas e contra qualquer retirada de direitos arduamente garantidos. Estamos juntas contra retrocessos e por mais mulheres na política. Dizemos não ao PL 4213/20.
*Deputada federal pelo Acre e líder do PCdoB na Câmara.
Últimas notícias
Carla Zambelli pode ter mandato cassado por quebra de decoro parlamentar
26/10 - 14:49 | POLÍTICA
Renildo Calheiros defende que vitória de Lula vai pacificar o país
25/10 - 14:6 | POLÍTICA
Bolsonaro quer acabar com desconto do Imposto de Renda na saúde e educação
25/10 - 10:25 | ECONOMIA
Bolsonaro mente sobre salário mínimo acima da inflação em 2023
24/10 - 15:44 | POLÍTICA
Deputado apresenta projeto que obriga gratuidade de transporte público nas eleições
Notícias relacionadas
Votações se reiniciam com Medidas Provisórias
5/3 - 13:11 | SEMANA DE 8 A 12 DE MARçO
Votação de contrato de partilha encerrará apreciação do Pré-sal na Câmara
29/8 - 13:33 | SEMANA DE 1 A 6 DE SETEMBRO
Emendas do Senado acrescentam mais duas Medidas Provisórias à pauta
23/11 - 16:5 | A SEMANA DE 26 A 30 DE NOVEMBRO
MPs lotam Plenário e ritmo de votação deve ser lento
16/11 - 12:17 | AMAZôNIA
Simpósio da Amazônia reúne parlamentares, autoridades e especialistas em meio ambiente

