Estudo aponta desmonte generalizado de políticas públicas no governo Bolsonaro

Brasília, segunda-feira, 11 de abril de 2022 - 10:5      |      Atualizado em: 22 de abril de 2022 - 9:58

POLÍTICA

Estudo aponta desmonte generalizado de políticas públicas no governo Bolsonaro


Por: Christiane Peres, com informações do Inesc

Para Jandira Feghali, levantamento explicita que Bolsonaro não se preocupa com a população.

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Levantamento mostra redução de recursos em diversas áreas no governo Bolsonaro.

2021 consolidou o desmonte das políticas públicas no governo Bolsonaro com a redução de recursos para ações de fortalecimento dos povos indígenas e quilombolas; para a promoção da igualdade racial; preservação ambiental e dos direitos humanos. É o que aponta o estudo realizado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc): “A Conta do Desmonte – Balanço Geral do Orçamento da União”, que analisou os gastos do governo federal nos três anos da gestão Bolsonaro, com o intuito de abastecer o debate sobre justiça econômica, social e ambiental.

De acordo com o levantamento, em 2021, o pior ano da pandemia, os recursos para enfrentar a Covid-19 caíram 79% em relação a 2020. A saúde perdeu R$ 10 bilhões em termos reais entre 2019 e 2021 quando subtraídas as verbas destinadas ao Sars-CoV-2; a habitação de interesse social não gastou qualquer recurso entre 2020 e 2021; a área de assistência para crianças e adolescentes perdeu R$ 149 milhões entre 2019 e 2021, esse valor equivale a 39% do que foi gasto em 2021; a educação infantil viu seu orçamento diminuir mais de quatro vezes em apenas três anos.

A execução financeira da promoção da igualdade racial, medida alocada no ministério de Damares Alvez, diminuiu mais de oito vezes entre 2019 e 2021; os recursos gastos com ações voltadas para as mulheres caíram 46% de 2021 para 2020; e, a execução das verbas destinadas ao sistema socioeducativo, que não eram muitas, encolheram 70% entre 2019 e 2021.

No caso dos povos indígenas, mostra o estudo, o dinheiro executado pela Fundação Nacional do Índio (Funai), que deveria garantir a proteção territorial e fazer avançar a demarcação de terras, por exemplo, foi utilizado para beneficiar invasores dessas terras.

As políticas ambientais também tiveram dificuldades para executar o orçamento disponível nestes últimos três anos como resultado da falta de pessoal, da nomeação para cargos de confiança de pessoas sem experiência e capacidade para conduzir a política de fiscalização territorial.

Na educação, os ministros da Pasta não só comprometeram o Enem, como lançaram uma reforma do ensino médio amplamente criticada. Além do desmonte das ações voltadas ao ensino superior.

“O que se depreende da análise de três anos de governo Bolsonaro é um quadro devastador para a população brasileira. Pode se dizer que estão em curso quatro movimentos: o de desmonte do Estado e sua entrega para forças privatizantes ou fundamentalistas; o de eliminação física daquelas pessoas, comunidades e povos que não interessam ao projeto fascista e sua base política – empobrecidos, mulheres, negros, indígenas, quilombolas, jovens periféricos, jovens cumprindo medidas socioeducativas, entre outros –; o de drenagem de recursos orçamentários para alimentar as eleições dos aliados; e o de incompetência devido a equipes totalmente despreparadas para os cargos que ocupam”, aponta o estudo.

Para a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), o estudo aponta o descaso do governo Bolsonaro com a população.
“Irresponsável! Bolsonaro interrompeu, prejudicou e desfinanciou várias políticas públicas da Saúde, Educação e Meio Ambiente. Esse governo corrupto e genocida deixa cada dia mais evidente que o povo não é prioridade”, critica a parlamentar.

Segundo o Inesc, o cenário para 2022 não é mais animador, visto que os recursos alocados políticas sociais e ambientais “continuam sob o comando da austeridade fiscal, da aporofobia e do projeto necropolítico do governo”. O estudo aponta ainda a possibilidade de Bolsonaro e seus aliados cederem à pressão das eleições e acabarem liberando mais verbas “para atender seus currais eleitorais”.

Entre as recomendações do Inesc para reverter a deterioração da economia estão o fim do Teto de Gastos e revisão das regras fiscais; expansão das políticas de geração de emprego e renda; eliminação do orçamento secreto e limite das emendas de relator assegurando transparência; controle do choque de juros visando uma contração monetária menos recessiva.









Últimas notícias

Notícias relacionadas

Sobre nós
Contatos

Área Restrita
Login
Liderança do PCdoB na Câmara dos Deputados
Praça dos Três Poderes, Câmara dos Deputados, anexo II, sala T-12
Brasília-DF - 70160-900 - Telefone: 55 (61) 3215-9732
ascompcdobcd@gmail.com