Brasília, quarta-feira, 29 de julho de 2020 - 17:25 | Atualizado em: 30 de julho de 2020 - 13:34
POLÍTICA
Líderes dizem que fuga do Centrão afeta Bolsonaro e fortalece oposição
Por: Iram Alfaia
MDB e DEM anunciaram afastamento. Com a possível saída do PTB e Pros, o bloco pode ficar reduzido a 136 deputados.
Com a saída anunciada do MDB e do DEM, o chamado Centrão perderá a condição de maior bloco parlamentar da Câmara dos Deputados, passando dos 221 para 158 deputados. Mas o grupo pode ainda ser reduzido para 136 parlamentares com a provável debanda do PTB e Pros, que articulam a formação de um novo bloco.
Os números revelam que o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sai fortalecido para fazer o seu sucessor na disputa de fevereiro do próximo ano. Isso porque, o grupo dos deputados que não se alinhou ao governo Bolsonaro, chamado de independentes, pretende caminhar sob a orientação dele. Por outro lado, o líder do Centrão, Arthur Lira (Progressistas-AL), tido como um dos favoritos para comandar a Câmara, sai enfraquecido.
Na avaliação da deputada Perpétua Almeida (AC), líder do PCdoB na Câmara, o Centrão deu sinais falsos para Bolsonaro. “Tinha-se a falsa impressão de que havia um alinhamento automático a Bolsonaro. Isso significa também que as articulações para eleição da presidência da Câmara estão a todo vapor”, avaliou a líder.
De fato, os sinais são contraditórios. Além de vários cargos, o bloco emplacou o ministro das Comunicações, Fábio Faria, e ainda Marcelo Lopes no FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), mas não deu a maioria desejada a Bolsonaro.
Com a nova conformação, Bolsonaro também perdeu a segurança de uma blindagem sobre um possível processo de impeachment. Para barrar qualquer pedido nesse sentido, por exemplo, são necessários 174 votos.
Oposição fortalecida
O líder do PT, Enio Verri (PR), diz que a nova configuração ficou interessante para a oposição porque ninguém mais tem maioria absoluta. “Para passar uma PEC você vai precisar de muito diálogo. Ou é uma pauta que tem de fato pressão social ou não passa. Deu uma animada na esquerda”, disse ele à coluna Painel, da Folha de S.Paulo.
“É importante que não tenham homogeneidade num campo único para passar PECs ou até medidas econômicas antipovo”, diz Fernanda Melchionna (RS), líder do PSol.
“Acho bom internamente para a Câmara. Em primeiro lugar, é importante que o campo bolsonarista sofra derrotas na Câmara, como o caso do Fundeb - então mostra ainda a fragilidade desse campo e a dificuldade de sair do isolamento. E Arthur Lira (PP) está na base do governo cada vez mais visto como um líder informal do governo”, completou.
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