Brasília, quinta-feira, 22 de outubro de 2020 - 19:53 | Atualizado em: 26 de outubro de 2020 - 10:47
SAÚDE
STF deve se posicionar sobre sabotagem a vacina para covid
Por: Walter Félix
Oposição aciona Supremo para impedir veto de Bolsonaro à compra da vacina desenvolvida e testada pelo Instituto Butantan, em parceria com o laboratório chinês Sinovac, que pode imunizar a população contra a Covid-19.
Os presidentes de cinco partidos de oposição entraram com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF), no Supremo Tribunal Federal, para impedir que o governo federal adote medidas que possam dificultar a colaboração entre os órgãos competentes no desenvolvimento e aquisição de vacinas visando o controle da disseminação do novo coronavírus.
A ação foi protocolada após o presidente Jair Bolsonaro vetar a compra pelo Ministério da Saúde de 46 milhões de doses da Coronavac — vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, um dos maiores centros de pesquisa biomédica do mundo, localizado em São Paulo, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac Biotech.
PCdoB, PT, PSB, PSOL e Cidadania apontam que Bolsonaro, ao vetar a compra da vacina, adota uma postura de sabotagem aos esforços da sociedade para a "produção e disponibilização de possível vacina segura e eficaz na imunização da população", em contraposição a medidas já adotadas, inclusive de natureza orçamentária, para o desenvolvimento de fármaco similar.
No documento, os partidos lembram que, em agosto deste ano, o governo federal reservou crédito da ordem de R$ 1,9 bilhão para um contrato entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituição vinculada ao Ministério da Saúde, e a farmacêutica AstraZeneca, que em parceria com a Universidade de Oxford também está desenvolvendo uma vacina contra a Covid-19.
"A diferença, ao que parece, está apenas no mesquinho cálculo político do presidente a revelar conduta incompatível com as elevadas responsabilidades do cargo e apta a caracterizar flagrante desvio de finalidade", observa o texto.
Direito à saúde
Para a líder do PCdoB na Câmara, deputada Perpétua Almeida (AC), Bolsonaro usa de artifícios ideológicos contra a China, maior parceira comercial do Brasil, por puro preconceito e motivações estritamente políticas.
"O presidente não tem o direito de negar à população o acesso a nenhuma vacina que pode prevenir uma doença que já tirou a vida de mais de 150 mil brasileiros", disse. O número de casos da doença no Brasil já ultrapassou 5 milhões de infectados. Isso, sem levar em conta a subnotificação por falta de testes.
Perpétua afirmou que o atual inquilino do Palácio da Alvorada descumpre direitos fundamentais previstos na Constituição, quando faz declarações desautorizando seu ministro da Saúde e afirmando que não vai permitir a compra da Coronavac. Na quarta-feira (21), Bolsonaro mandou cancelar o protocolo de intenções de compra da vacina, anunciado no dia anterior por Eduardo Pazuello em uma reunião com governadores.
"A vacinação é direito do cidadão e dever do Estado", destacou a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) em suas rede sociais, assinalando que a interrupção da compra da vacina Butantan/Sinovac por motivação política é criminosa. "O povo brasileiro não pode pagar pela irresponsabilidade de Bolsonaro", acrescentou.
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que também é médica, reforçou a importância da ADPF apresentada pelos partidos oposicionistas. "É criminoso jogar com a saúde da população e impor um debate ideológico", disse.
Já o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) avaliou que a atitude de Bolsonaro nega a própria história do Brasil, "já que somos um país de acolhida e um povo formado com imensa contribuição de migrantes". "Xenófobo, preconceituoso e racista. Esse senhor é a maior vergonha da história brasileira", pontuou.
STF
Além da ação dos cinco partidos, a Rede Sustentabilidade entrou com outra ADPF para que o governo federal, dentre outras medidas, apresente em 48 horas planos de aquisição de vacinas que contemplem todas as alternativas viáveis. Para o partido, a compra dos imunizantes deve se pautar por critérios exclusivamente técnicos de segurança e eficácia, rechaçando escolhas políticas ou personalistas do objeto.
“A vacinação em massa da população brasileira ainda é essencial para que todos os cidadãos vejam direitos à saúde e à vida fielmente respeitados, sem recortes indevidos por pura ideologia política vazia”, argumenta.
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