Depoimento de Wajngarten reforça descompromisso do governo Bolsonaro com a vida dos brasileiros

Brasília, quarta-feira, 12 de maio de 2021 - 15:43      |      Atualizado em: 18 de maio de 2021 - 18:29

CPI DA COVID

Depoimento de Wajngarten reforça descompromisso do governo Bolsonaro com a vida dos brasileiros


Por: Da Redação, com informações do Portal Vermelho

Deputados repercutem depoimento do ex-secretário de Comunicação da Presidência à CPI da Covid. Wajngarten negou que tenha falado à revista Veja sobre oferta de 70 milhões de doses da vacina da Pfizer. Após declaração relator da CPI admite possibilidade de pedir prisão de Wajngarten por mentir ao colegiado.

Edilson Rodrigues/Agência Senado
Ex-secretário especial de Comunicação Fabio Wajngarten durante depoimento na CPI

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), admitiu pedir a prisão do ex-secretário da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República Fabio Wajngarten. No depoimento ao colegiado, nesta quarta-feira (12), ele negou que tenha falado à revista Veja sobre oferta de 70 milhões de doses da vacina da Pfizer, em setembro do ano passado, e que havia chamado de incompetente e ineficiente a equipe do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello por não ter fechado o acordo.

“Nas propostas da Pfizer, no começo da conversa, ela falava em irrisórias 500 mil vacinas”, disse ele, referindo-se à entrevista.

Apesar da negativa, Wajngarten revelou à CPI que o presidente recebeu, no mesmo período, uma carta com oferta de vacina, mas ignorou a proposta. Segundo ele, nem o presidente, o vice Hamilton Mourão, ministro da Economia, Paulo Guedes, e o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello responderam ao comunicado até novembro, ou seja, dois meses depois. Ele entregou uma cópia da carta à CPI.

“Eu queria sugerir requisitar o áudio à revista Veja, para verificarmos se o secretário mentiu ou não mentiu. Se ele não mentiu, a revista Veja terá de pedir desculpas a ele. Se ele mentiu, terá desprestigiado e mentido ao Congresso, o que é um péssimo exemplo. Vou cobrar a revista Veja, se ele não mentiu, que ela se retrate a ele. E se ele mentiu à revista Veja e a esta comissão, vou requerer a Vossa Excelência, na forma da legislação processual, a prisão do depoente. Para não dizerem que não estamos tratando as coisas com a seriedade que essa investigação requer”, afirmou o relator diante de protesto da bancada governista.

“O senhor só está aqui por causa da entrevista à Veja, se não fosse isso a gente nem lembrava que o senhor existia”, lembrou o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM). “Se o senhor não foi objetivo nas suas respostas, vamos dispensá-lo e quando chamarmos vossa excelência de novo não vai ser como testemunha”, completou o presidente.

Repercussão

As declarações de Wajngarten e do relator da CPI repercutiram nas redes sociais e no meio político.

Para a vice-líder da Oposição, deputada Perpétua Almeida (AC), afirmou que Wajngarten está em apuros. “’Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come’. Ou ele mentiu na entrevista para a revista Veja, ou ele mentiu em seu depoimento na CPI. Se foi a 2ª opção, vai ser preso”, reforçou a decisão anunciada pelo relator da CPI.

O vice-líder do PCdoB, deputado Orlando Silva (SP), também enfatizou o descompromisso do governo Bolsonaro com a vida dos brasileiros. Entre outros pontos, Orlando comentou sobre os dois meses que o governo ignorou a carta da Pfizer com a oferta de vacina. “Wajngarten admite que por longuíssimos dois meses o governo deu de ombros para a carta da Pfizer com oferta de vacinas. Diz ainda que, em 09/11, informou Bolsonaro e o colocou em contato com a empresa. Entre a oferta e a Medida Provisória: 273 mil brasileiros mortos. Genocida!”

Para Orlando, “a subserviência de Fabio Wajngarten ao projeto de livrar a cara de Bolsonaro pode lhe custar a liberdade”.

Segundo a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), o ex-secretário de Bolsonaro “mente que a cara nem arde”. “Mentiu ao dizer que na sua gestão nunca fez campanha de tratamento precoce. Pelo menos admitiu que a carta da Pfizer sobre a vacina ficou pelo menos dois meses sem resposta pelo governo”, pontuou.

A vice-líder da Minoria, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), destacou trecho da fala do presidente da CPI onde o senador Omar Aziz afirma que se Wajngarten não colaborar será dispensado e convocado na condição de investigado.

Jandira também destacou o ato do relator da CPI, que nesta quarta-feira substituiu a placa com seu nome pelo número de mortos pela Covid-19 no Brasil. Para Jandira, ao fazer isso, Renan “ressalta qual deve ser o foco das investigações: preservar vidas e impedir que ações e omissões continuem fazendo vítimas”.

De acordo com dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Brasil ultrapassou as 425 mil vítimas da Covid-19.









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