Brasília, quarta-feira, 31 de março de 2021 - 15:13
SAÚDE
Queiroga fala que tem autonomia e defende isolamento na Câmara; Bolsonaro diverge
Por: Christiane Peres
Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, evitou perguntas mais políticas e indicou mudança de postura na condução do Ministério da Saúde nas ações de combate ao coronavírus. Enquanto isso, Bolsonaro voltou a criticar medidas restritivas. Jandira Feghali questionou autonomia do ministro no combate à pandemia.
Oito dias após assumir oficialmente o comando do Ministério da Saúde, Marcelo Queiroga participou de audiência virtual na Câmara dos Deputados para falar das ações da Pasta para combater o avanço da pandemia do novo coronavírus. A última atualização dos dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) apontou que o país já registra mais de 317 mil óbitos.
Em sua fala, Queiroga indicou uma mudança de postura na condução da Pasta em relação à pandemia. Defendeu o uso de máscaras, distanciamento social, criticou aglomerações enquanto o país tenta adquirir vacinas e acelerar o processo de imunização dos brasileiros. "O presidente me deu total autonomia", destacou o ministro para enfatizar sua defesa por medidas que ainda não eram reconhecidas pelo governo Bolsonaro.
Ironicamente, mais cedo, após reunião do Comitê formado pelo governo para discutir as ações contra a pandemia, Bolsonaro fez um pronunciamento no qual voltou a criticar as medidas de distanciamento social, divergindo do ministro da Saúde e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que também participaram do encontro.
Na audiência na Câmara, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) reiterou o questionamento sobre a autonomia de Queiroga e cobrou ações concretas para conter o avanço da pandemia.
"O senhor chega no caos e no colapso. E tudo o que a gente precisa é de ações concretas. Sou de Oposição, mas não trabalho com o 'quanto pior, melhor'. Sobretudo quando tratamos de vidas. O senhor é o quarto ministro e parece que seguirá a ciência, mas é preciso ter autonomia", pontuou.
Jandira fez ainda defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e do financiamento da saúde. Questionou o ministro sobre a habilitação de leitos de UTI, cronograma de vacinação, sobretudo da população jovem, que hoje ocupa quase 40% dos leitos das unidades de tratamento intensivo por Covid. A parlamentar cobrou campanhas de vacinação e teste rápido.
Queiroga afirmou que não entraria em discussões políticas, reiterou a importância do orçamento do SUS, mas destacou que é “preciso olhar para a frente e estabelecer um ambiente de diálogo”.
Ao longo da audiência, Queiroga, reiterou a importância do uso de máscaras, do distanciamento social, das campanhas de vacinação, que, segundo o ministro, já estão em produção. Queiroga afirmou que já foram habilitados 15 mil leitos de UTI e destacou que a Pasta está trabalhando em conjunto com outras áreas do governo para articular a aquisição e entrega de vacinas para acelerar a imunização da população.
Vice-presidente da Câmara, o deputado Marcelo Ramos (PL-AM) trouxe ao debate a declaração de Bolsonaro e pediu ao ministro que intercedesse junto ao presidente para que ele mudasse sua postura.
O pedido, no entanto, não teve qualquer resposta do atual ministro.
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