Brasília, quarta-feira, 14 de julho de 2021 - 10:48 | Atualizado em: 20 de julho de 2021 - 12:22
CULTURA
PGR deve investigar perseguição político-ideológica em análise de projetos culturais
Por: Christiane Peres
Governo Bolsonaro barrou captação de recursos via Lei Rouanet por festival de jazz. Comissão de Cultura da Câmara quer impedir censura no setor.
Parlamentares do PCdoB, PT, PSol, PSB e PDT querem que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue perseguição político-ideológica nas análises de projetos culturais no governo Bolsonaro.
A representação foi protocolada nesta terça-feira (13) por deputados da Comissão de Cultura, após a Fundação Nacional das Artes (Funarte) ter barrado a captação de recursos via Lei Rouanet a um festival de jazz na Bahia. O intuito é incorporar as investigações a um inquérito já em curso no Ministério Público Federal que apura se a conduta do Ministério do Turismo e da Secretaria Especial da Cultura na avaliação de projetos que buscam incentivos via Lei Rouanet é motivada por questões político-ideológicas.
A ação, encabeçada pela presidente do colegiado, deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), visa ainda investigar abuso de autoridade, assédio moral e ato de improbidade administrativa em relação à elaboração do parecer emitido por Ronaldo Daniel Gomes, exonerado uma semana após o fato, além da violação aos princípios da impessoalidade, com desvio de finalidade e advocacia administrativa na destinação dos recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Na justificativa para negar a captação dos recursos, o parecerista se baseou em postagem de 2020, em rede social, em que a organização do festival se posicionava contra o fascismo, o racismo e toda forma de opressão e preconceito. De acordo com Gomes, a postagem seria uma constatação de “desvio de objeto do projeto, que escapa ao escopo das possíveis denominações do conceito de música”.
Além disso, o parecer, que deveria ser técnico, é entremeado de citações religiosas, versos em latim e frases como “A Arte é tão singular que pode ser associada ao Criador”.
Para Alice Portugal o “parecer conclui, de forma equivocada, que a postagem em rede social alteraria o objeto do projeto”. Em manifestação lida no colegiado na tarde de terça, a parlamentar apontou que a justificativa é frágil e fere princípios constitucionais.
Além de Alice, também assinam o documento Áurea Carolina (PSol-MG), Benedita da Silva (PT-RJ), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Sâmia Bomfim (PSol-SP), Lídice da Mata (PSB-BA), Túlio Gadêlha (PDT-PE), Alexandre Padilha (PT-SP), Tadeu Alencar (PSB-PE) e David Miranda (PSol-RJ).
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