PGR livra Bolsonaro e pede investigação apenas de Milton Ribeiro

Brasília, quarta-feira, 23 de março de 2022 - 15:55      |      Atualizado em: 29 de março de 2022 - 9:5

POLÍTICA

PGR livra Bolsonaro e pede investigação apenas de Milton Ribeiro


Por: Christiane Peres

Decisão foi tomada após áudio de ministro da Educação revelar esquema de liberação de recursos para pastores a pedido de Bolsonaro. Apesar de menção explícita ao presidente, Augusto Aras blinda Bolsonaro.

Reprodução da Internet
Bolsonaro e Milton Ribeiro ao lado de pastores que negociam recursos do MEC

O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o ministro da Educação, Milton Ribeiro, no caso de favorecimento de pastores na distribuição de verbas do MEC. Apesar de Ribeiro deixar claro no áudio que o esquema é fruto de pedido de Jair Bolsonaro, Aras ignorou a menção ao presidente e pediu a investigação apenas do ministro. 

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) criticou o “esquecimento” de Aras, que tem blindado Jair Bolsonaro em diversas investigações. “A PGR resolveu se mexer e abriu inquérito para investigar Milton Ribeiro. Aras, por um lapso qualquer, esqueceu de pedir a investigação de Bolsonaro, a quem o ministro envolve nominalmente. Quem sabe em 2023...”, ironizou.

Após a divulgação do escândalo, a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) afirmou que a abertura de inquérito contra Ribeiro é “o mínimo” a ser feito. “Finalmente a PGR pediu ao STF a abertura de inquérito contra o ministro da Educação. Investigar é o mínimo depois do vazamento de áudios em que ele admite favorecer pastores evangélicos na distribuição de verbas do MEC a pedido de Bolsonaro. O MEC não é um balcão de negócios!”, pontuou.

O esquema foi revelado pela imprensa e gerou repúdio de aliados do governo e de opositores, além de mobilização de entidades ligadas à educação.

O pedido de Aras também inclui a apuração de pedido de propina em ouro para liberação de recursos do MEC. Segundo o prefeito Gilberto Braga (PSDB), do município maranhense de Luis Domingues, um dos pastores que negociam transferências de recursos federais para prefeituras pediu 1 kg de ouro para conseguir liberar verbas de obras de educação para a cidade.

Para Orlando Silva, a cobrança em ouro explica a obsessão de Bolsonaro em liberar mineração em terra indígena. O tema tem ganhado relevância no Parlamento, com pressão da base bolsonarista, nas últimas semanas e sempre esteve na pauta do presidente da República.

“Corrupção tabelada em ouro! Tá explicada a obsessão do Bolsonaro em liberar o garimpo em terra indígena...”, ironizou Orlando. “Quer dizer que o pastor picareta cobrou 1 Kg de OURO para aprovar a liberação de dinheiro no MEC? É muita fé mesmo. Fé na roubalheira e na impunidade. Bem a cara da quadrilha Bolsonaro! Se procurar direito, vão achar rachadinha nesse dízimo...”, completou o parlamentar em referência aos esquemas que envolvem a família Bolsonaro.

Além do ministro, o PGR pretende ouvir os pastores citados e prefeitos que teriam sido beneficiados com verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).









Últimas notícias

Notícias relacionadas

Sobre nós
Contatos

Área Restrita
Login
Liderança do PCdoB na Câmara dos Deputados
Praça dos Três Poderes, Câmara dos Deputados, anexo II, sala T-12
Brasília-DF - 70160-900 - Telefone: 55 (61) 3215-9732
ascompcdobcd@gmail.com