Brasília, terça-feira, 3 de novembro de 2020 - 13:46 | Atualizado em: 9 de novembro de 2020 - 14:19
VIOLÊNCIA CONTRA MULHER
Caso Mariana Ferrer explicita cultura da violência contra a mulher no Brasil
Por: Da Redação
Julgamento termina com sentença inédita de ‘estupro culposo’ e advogado humilhando Mariana Ferrer, usando fotos sensuais dela para questionar acusação de estupro. Deputados repudiam sentença e afirmam que caso reforça violência contra a mulher.
Deputados do PCdoB usaram suas redes sociais nesta terça-feira (3) para repudiar os detalhes do julgamento do caso de estupro da influencer Mariana Ferrer pelo empresário André de Camargo Aranha, divulgados pelo portal The Intercept Brasil.
O portal teve acesso aos registros dos advogados do empresário humilhando Ferrer, sem que o juiz interviesse.
A defesa do empresário mostrou cópias de fotos sensuais produzidas pela jovem enquanto modelo profissional antes do crime como reforço ao argumento de que a relação foi consensual. O advogado Cláudio Gastão da Rosa Filho analisou as imagens, que definiu como “ginecológicas”, sem ser questionado sobre a relação delas com o caso, e afirma que “jamais teria uma filha” do “nível” de Mariana. Ele também repreende o choro de Mariana: “não adianta vir com esse teu choro dissimulado, falso e essa lábia de crocodilo”.
“Excelentíssimo, eu tô implorando por respeito, nem os acusados são tratados do jeito que estou sendo tratada, pelo amor de Deus, gente. O que é isso?”, disse Mariana Ferrer em vídeo durante uma das audiências do julgamento do seu agressor.
"É inacreditável! Quando a Justiça permite tamanha humilhação à mulher, vítima de estupro, a quem mais se pode recorrer?", questiona a líder da bancada do PCdoB, deputada Perpétua Almeida (AC).
A decisão saiu na segunda semana de setembro com uma sentença inédita: estupro culposo. O promotor responsável pelo caso decidiu que não havia como o empresário saber, durante o ato sexual, que a jovem não estava em condições de consentir a relação, não existindo, portanto, “intenção” de estuprar. Com um crime não previsto em lei, Aranha foi absolvido.
Para a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), o caso explicita a cultura de violência contra a mulher no Brasil. “O absurdo reinando no Brasil. Mari Ferrer, estuprada por um empresário, é humilhada por advogado ao dizer que o acusado "não sabia que ela não queria". Cultura da violência contra a mulher é assim: “estupro culposo”. Meu Deus!”, repudiou em sua conta no Twitter.
A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) classificou o caso como "estarrecedor". "Promotor inventa o “estupro culposo” para inocentar o empresário André de Camargo, que estuprou Mariana Ferrer. Estupro culposo não existe! Precisamos dar um basta nessa cultura de violência à mulher no Brasil", enfatizou.
O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) também criticou a sentença. “O crime de estupro consiste em "constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso". Crime culposo é por imprudência, negligência. Não existe estupro culposo. Isso é ridículo!”, afirmou.
O vice-líder da legenda, deputado Márcio Jerry (MA), classificou o resultado do julgamento como “indignante, repulsivo e revoltante”.
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