Permissão para cultivo da cannabis medicinal é decisiva para enfrentar lobby farmacêutico e baratear custo do medicamento para brasileiros

Brasília, quarta-feira, 26 de maio de 2021 - 13:19

COMISSÃO GERAL

Permissão para cultivo da cannabis medicinal é decisiva para enfrentar lobby farmacêutico e baratear custo do medicamento para brasileiros


Por: Christiane Peres

Comissão geral discute projeto que libera o cultivo da cannabis para uso medicinal. Deputadas e médicos defendem proposta e combatem desinformação sobre texto em discussão no Parlamento.

Najara Araújo/Câmara dos Deputados
Deputadas defendem aprovação do PL 399

Opções de tratamentos com cannabis têm se mostrado eficazes para pacientes com doenças como epilepsia, ansiedade, dor crônica, autismo. O uso medicinal da cannabis e sua importação já tem aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e outra regulação do órgão permitiu a venda em farmácias a partir de maio de 2020. Mas a oferta ainda é baixa, e o tratamento com cannabis para alguns meses pode passar de R$ 2 mil.

Para garantir o acesso das famílias brasileiras ao medicamento com preço mais baixo, uma comissão especial tem se dedicado a tratar do tema no Parlamento. No entanto, a tropa de choque bolsonarista tem se movimentado para impedir o avanço da matéria (PL 399/2015). Com o objetivo de diminuir a desinformação sobre o tema, uma comissão geral foi realizada nesta quarta-feira (26), na Câmara.

Após falas regadas a preconceito e mentiras, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) rebateu a base bolsonarista e defendeu o avanço do PL 399/2015, que trata da legalização do cultivo da cannabis para fins medicinais. Para ela, a proposta enfrenta o lobby da indústria farmacêutica e é essencial para baratear os custos do medicamento no Brasil.

“Como reduzir o custo e ampliar o acesso? Não estamos falando de cuidados caseiros. Não estamos partindo do zero. Estamos falando de algo que já existe no Brasil. Estamos aqui regulando, autorizando e regulamentando o cultivo e sua possibilidade de ser utilizado com fiscalização rígida. A Anvisa vai fiscalizar. Todos os pacientes que receberam esse medicamento tiveram resultados incríveis. Imaginem o que é a vida de uma criança que tem 100 convulsões por dia e com o uso do canabidiol deixa de ter. Então, não mintam na Tribuna deste Parlamento. Vocês não querem permitir o cultivo, pois ele é decisivo para confrontar o lobby da indústria farmacêutica. Vocês estão a favor do custo elevado de empresas. Nós queremos o barateamento dos custos”, afirmou.

A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) também defendeu a liberação do cultivo para uso medicinal. “Essa é uma discussão que tem sido fundamentada na ciência. Quando o relator prevê a possibilidade de cultivo em estufas, são estufas monitoras pela Anvisa. Não há liberal para uso recreativo. Estamos tratando da preservação de vidas e da tranquilidade de famílias. São 13 milhões de famílias que dependem do medicamento segundo estudos da Anvisa. Só podemos falar em barateamento desse custo e acesso às famílias se tivermos a possibilidade do cultivo no país”, apontou. “São situações graves de saúde que podem ser atenuadas com esse medicamento. A desinformação, o preconceito, não devem presidir esse debate”, completou Alice.

O argumento foi reforçado por Carolina Nocetti, da Academia Americana de Medicina. Para ela, não existe democratização do acesso e barateamento dos custos sem a produção local do insumo. Ela atacou os discursos falaciosos da base bolsonarista e reiterou que milhares de famílias brasileiras poderão se beneficiar do medicamento, a partir da regulamentação feita.
 









Últimas notícias

Notícias relacionadas

Sobre nós
Contatos

Área Restrita
Login
Liderança do PCdoB na Câmara dos Deputados
Praça dos Três Poderes, Câmara dos Deputados, anexo II, sala T-12
Brasília-DF - 70160-900 - Telefone: 55 (61) 3215-9732
ascompcdobcd@gmail.com