Tecnologia pode virar aliada no combate à violência contra a mulher

Brasília, terça-feira, 25 de novembro de 2014 - 20:2      |      Atualizado em: 28 de novembro de 2014 - 12:51

MARATONA HACKER

Tecnologia pode virar aliada no combate à violência contra a mulher

Hackathon estimula o desenvolvimento de aplicativos que poderão contribuir na luta pelo fim da violência de gênero.

Richard Silva/ PCdoB na Câmara
Projetos ajudarão no enfrentamento à violência contra a mulher.

Socos, pontapés, estupros, xingamentos e toda a sorte de humilhações fazem ou farão parte da vida de uma em cada três mulheres no mundo. O dado, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na última semana, reforça a gravidade do tema e a necessidade da criação de ferramentas preventivas para o enfrentamento da violência de gênero. Nesse sentido, a Câmara dos Deputados, em parceria com a Secretaria da Mulher, realiza o segundo Hackathon, uma maratona hacker sobre questões de gênero e cidadania.

Desde segunda-feira (24), 47 hackers, programadores e desenvolvedores estão reunidos para criar soluções digitais para ajudar no enfrentamento da violência contra a mulher. A maratona selecionou 22 projetos que vão traduzir dados públicos de maneira útil e acessível ao cidadão. 

Para a deputada Luciana Santos (PCdoB-PE), a iniciativa é interessante e inovadora. “É preciso aproveitar o potencial da tecnologia a serviço dos direitos humanos e investir cada vez mais no desenvolvimento de ferramentas que contribuam para garantir os direitos básicos das pessoas. Nessa trincheira de luta pelo combate à violência contra a mulher, especificamente, é fundamental e estratégico que possamos contar com a inteligência de programadores e desenvolvedores e apresentar alternativas que dialoguem com um público cada vez mais amplo.”

Entre os projetos selecionados está o de Leandro Correia, de São Paulo, que irá desenvolver um aplicativo para ser acionado quando a mulher estiver prestes a sofrer algum tipo de violência. Ao acionar o aplicativo, uma mensagem de alerta será enviada à rede de contatos de parentes e amigos. O aplicativo gravará ainda o áudio da conversa entre agressor e vítima e mandará informações de localização a cada cinco minutos.

“Mesmo se o aparelho for quebrado, o áudio fica gravado e pode ser usado para instruir um processo criminal”, disse Correia. Ele foi convidado para o Hackathon após ganhar uma competição semelhante em maio, organizada pela Presidência da República.

Outra ideia em desenvolvimento nesta semana é Myrthes, uma rede social para troca de informações entre mulheres vítimas de violência e advogados. Segundo Mônica Monteiro, integrante do grupo responsável pelo aplicativo, o objetivo é que as mulheres possam tirar dúvidas e se orientar sobre o que fazer caso a caso.

Para a coordenadora de Acesso à Justiça e Combate à Violência da Secretaria de Diretos da Mulher da Presidência da República, Aline Yamamoto, os projetos em desenvolvimento podem virar ferramentas importantes no combate a problemas sérios, como a violência contra a mulher.

“Essa iniciativa de aplicativo cria uma rede de apoio às mulheres e é uma forma de mostrar como podem buscar seus diretos e quais são os serviços que podem atendê-las nas áreas de saúde, justiça e assistência social”, apontou. Segundo Yamamoto, o Brasil ocupa atualmente a 7ª posição no ranking de países com maior número de assassinatos e mortes violentas de mulheres.

Ao fim da maratona, os projetos serão avaliados nos quesitos interesse público, criatividade, inovação e qualidade técnica. Os autores dos dois projetos vencedores serão premiados com passagem e hospedagem para participar de um encontro sobre projetos de Democracia Digital na sede do Banco Mundial, em Washington (EUA).

De Brasília, Christiane Peres









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