Mobilização é chave para deter tentativas golpistas

Brasília, quinta-feira, 22 de julho de 2021 - 14:14

POLÍTICA

Mobilização é chave para deter tentativas golpistas


Por: Christiane Peres

Deputados rechaçam ameaças golpistas do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, e defendem mobilização entre sociedade, Legislativo e Judiciário.

Reprodução da Internet
Braga Netto e Bolsonaro ameaçam eleições de 2022 caso voto impresso não seja aprovado pelo Parlamento

O líder do PCdoB na Câmara, deputado Renildo Calheiros (PE), disse nesta quinta-feira (22), que é intolerável que o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, faça ameaças às eleições de 2022 e à democracia. Para ele, é preciso articulação entre os Poderes e a sociedade para “combater tentativas golpistas”.

“Legislativo, Judiciário e a sociedade devem estar mobilizados e a postos para combater tentativas golpistas. Mesmo que ele [Braga Netto] tenha negado, não devemos tolerar nem normalizar estes testes. O Parlamento é soberano para decidir as matérias aprovadas. A nossa prioridade agora deve ser derrotar o voto impresso na comissão especial. Votaremos em favor do povo, independentemente de pressões antidemocráticas”, reforçou o parlamentar.

A manifestação do líder do PCdoB acontece após publicação de reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, que traz a informação de que o ministro da Defesa de Bolsonaro fez chegar ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), a ameaça de que as eleições do ano que vem não serão realizadas caso os parlamentares não aprovem a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso (PEC 135).

Tanto Lira quanto Braga Netto negaram o relato feito pelo jornal, mas O Estado de S. Paulo reiterou o teor da publicação. Para Renildo Calheiros, o episódio server como “sinal de alerta para reagirmos a qualquer ação golpista que surja contra o Brasil e os brasileiros”.

“As Forças Armadas devem servir ao Estado brasileiro, cumprindo seu papel constitucional. Não podem estar a serviço de um governo desesperado, que tenta demonstrar uma força que não tem”, destacou Renildo.

Ocupar as ruas

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) reiterou que a ocupação das ruas é fundamental para mostrar que tais ameaças não reverberam na população.

“Arthur Lira e Braga Netto desmentiram publicamente a ameaça golpista do Ministério da Defesa. Ótimo. Para que não restem dúvidas sobre quem decide a eleição, recomendo: 1) Ocuparmos as ruas para exigir o impeachment. #24JForaBolsonaro 2) Derrotar o voto impresso na comissão. Todos e todas que defendem a democracia devem ir às ruas, unindo a frente ampla pelo Brasil”, destacou Orlando Silva.

Novos protestos contra o governo estão marcados para este sábado (24). Até o momento, há confirmação de 294 atos em 284 cidades do Brasil e de 15 outros países.

Retratação

Assim que a notícia foi publicada pelo jornal, a vice-líder da Oposição, deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), cobrou retratação e posicionamento do Parlamento sobre o caso. “Imagino que o presidente da Câmara virá a público e dirá que nenhuma autoridade do Estado teria coragem de fazer tamanha ameaça contra a democracia e também exigirá pública e duramente que isso seja esclarecido.”

A vice-líder da Minoria, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), afirmou que “esta ameaça, às vésperas da votação sobre o voto impresso, é mais uma vez uma pressão indevida e uma indicação de ruptura institucional. “Precisamos pôr um ponto final nesta história”, disse.

Já a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) lembrou a nota das Forças Armadas intimidando o presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), que já acenava para uma vontade de golpe. “Agora o Estadão publica a informação de um dos presentes na reunião em que a ameaça golpista foi feita. O esforço em defesa da democracia precisa ser redobrado!”, afirmou.

Arthur Lira usou suas redes para desmentir a declaração de Braga Netto, assim como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que afirmou que a decisão sobre a adoção do voto impresso no Brasil cabe ao Legislativo e que a realização da eleição do ano que vem é "inegociável", garantindo que o pleito será realizado conforme previsto.









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