Brasília, terça-feira, 22 de fevereiro de 2022 - 18:25
SAÚDE
Implantação do piso da enfermagem custará R$ 16,3 bi
Por: Christiane Peres
GT conclui análise de dados. Deputados vão buscar levar texto direto para votação em Plenário. Parlamentares do PCdoB reafirmam compromisso da legenda com piso da categoria.
Em 20 dias, o grupo de trabalho (GT) instalado na Câmara para analisar o impacto da implantação do piso salarial da enfermagem apresentou seu relatório. Nesta terça-feira (22), o relator do GT, deputado Alexandre Padilha (PT-SP), mostrou que a aprovação do Projeto de Lei (PL) 2564/20 é possível e causará um impacto orçamentário de R$ 16,3 bilhões.
“Chegamos a uma metodologia consistente e com um valor que não é exorbitante dado o tamanho da categoria. Agora, de forma imediata, a Câmara pode aprovar esta matéria”, afirmou Padilha.
Após reuniões de trabalho para ouvir os setores envolvidos e colher dados para análise, os deputados chegaram a uma metodologia que levou em conta, entre outros pontos, a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) 2020, a separação por setores econômicos, a inclusão de encargos a partir de normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde. O cálculo, segundo Padilha, foi feito desconsiderando os trabalhadores que já recebem o valor referente ao piso.
O projeto, que já foi aprovado no Senado, estabelece um piso de R$ 4.750 para enfermeiros, 70% do valor para os técnicos e 50% para auxiliares e parteiras, corrigidos pelo Índice de Preços ao Consumidor (INPC).
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) destacou a importância da conclusão do trabalho do grupo no tempo estipulado pela Presidência da Câmara e apontou a necessidade de o GT marcar posição junto ao presidente da Casa, deputado Arthur Lira (PP-AL), para pautar e aprovar a matéria no Plenário da Câmara.
“Concluímos no prazo a entrega desse relatório. Não é fácil pegar tantos dados, muitos deles contraditórios, e chegar a esse dado, de forma concreta. Agora precisamos apresentar ao presidente da Câmara o resultado desse trabalho para levarmos à votação. O esforço é grande, porque queremos aprovar o PL 2564. Nosso objetivo era fazer um trabalho honesto, fazer com que o impacto ficasse claro para que a gente pudesse criar os mecanismos para aprovação do projeto. Essa é a maior categoria da saúde, num país continental, então não seria um impacto irrisório, mas não é nada como se imaginava como quando o texto veio do Senado. Vamos votar o relatório no GT amanhã e entregá-lo ao presidente da Câmara para aprovarmos no Plenário”, pontuou Jandira.
A deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) também participou da reunião e afirmou que o relator demonstrou que o piso não é “um monstro financeiro”.
“O PL 2564 é um grito de socorro para a enfermagem no Brasil. O governo federal não tem dado apoio a esses profissionais. Na pandemia vemos gestos de valorização da categoria, mas precisamos ir além. E aprovar esse piso que é o mínimo”, disse a parlamentar.
Perpétua tem feito visitas a hospitais no Acre onde tem debatido a importância da mobilização da categoria para a aprovação do piso salarial. De acordo com a parlamentar, conhecer a realidade desses profissionais fortalece o engajamento na luta.
“Fiz questão de ir onde eles estão, conhecer as condições de trabalho desses profissionais porque quando a gente vê de perto, a nossa percepção é outra, a nossa defesa fica mais forte e mais engajada. E o que eu pude ver é que os trabalhadores que cuidam dos doentes, estão precisando de cuidados. Por isso, precisamos lutar para que ao sair deste GT, o projeto vá direto ao Plenário da Câmara, pois ainda corremos o risco de que ele seja destinado às comissões permanentes”, alertou a parlamentar.
Após votação do relatório, marcada para esta quarta-feira (23), os parlamentares pretendem agendar reunião com Lira para cobrar que a matéria entre com requerimento de urgência na pauta do Plenário.
“Não porque tramitar em quatro comissões. Vamos até Lira e vamos aprovar o regime de urgência e aprovar esse projeto em Plenário. O resultado que tivemos aqui é muito sólido e demonstra que não há exorbitância. É possível. R$ 16 bilhões para o serviço prestado por esse segmento não é demais. É uma questão de justiça social”, afirmou a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA).
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