Câmara recebe superpedido para impeachment de Bolsonaro

Brasília, quarta-feira, 30 de junho de 2021 - 18:17

POLÍTICA

Câmara recebe superpedido para impeachment de Bolsonaro


Por: Walter Félix

Oposição e antigos aliados do governo se unificaram em um novo pedido de afastamento do presidente, que está mergulhado na mais aguda crise de sua gestão devido às acusações de negligência no combate à pandemia e denúncias de corrupção na compra de vacinas contra a Covid-19. 

Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Um novo pedido de impeachment de Jair Bolsonaro foi apresentado nesta quarta-feira (30) à Câmara dos Deputados pela oposição, advogados, centrais sindicais, entidades ambientalistas, membros de nações indígenas e lideranças estudantis, além de representantes de partidos identificados com a extrema-direita, como deputados do PSL — legenda pela qual o presidente foi eleito em 2018.

O pedido, que é o 123º pleiteando o impedimento do presidente da República, foi encaminhado ao presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), a quem caberá a decisão de abertura ou arquivamento do processo de impeachment. A peça reúne os argumentos das denúncias contra Bolsonaro apresentadas até então ao Poder Legislativo.

A articulação para unificar as denúncias de crimes de responsabilidade contra o Chefe do Executivo envolveu os partidos de oposição, entre eles PCdoB, PT, PDT, PSB PSOL, Rede Sustentabilidade e ex-aliados do presidente, como os deputados Alexandre Frota (PSDB-SP), Joice Hasselmann (PSL-SP) e Kim Kataguiri (DEM-SP).

O documento aponta mais de 20 tipos de agressões contra a lei de responsabilidade. Entre eles estão a acusação de cometer ato de hostilidade contra nação estrangeira; de atentar contra o livre exercício dos Poderes Legislativo e Judiciário e dos Poderes constitucionais dos Estados; de cometer crime contra a segurança nacional, ao endossar manifestações que conclamavam a intervenção militar, a reedição do AI-5 e o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal; de interferir indevidamente na Polícia Federal para a defesa de interesses pessoais e familiares; de agravar a pandemia com práticas negacionistas e agressões ao direito à saúde, entre outros.

Para o advogado Mauro de Azevedo Menezes, um dos autores do pedido, quem atenta contra a Constituição comete crime de responsabilidade. “As forças mais diversas esperam que seja admitido o processo de impeachment contra um governo que destrói as instituições brasileiras”, disse.

Após a apresentação do pedido coletivo de impeachment, várias lideranças de entidades, movimentos sociais e pessoas físicas que assinaram o documento participaram, às 16 horas, de um ato no Salão Negro da Câmara dos Deputados. Em seguida, os manifestantes fizeram uma concentração em frente ao Congresso Nacional.

Segundo a presidenta nacional do PCdoB e vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos, o protocolo de impeachment foi um momento histórico, que demonstrou a unidade do país contra uma política genocida. "Esse pedido é o reflexo do grito dos negros, dos indígenas, daqueles que lutam pelo respeito à sua orientação sexual, aos trabalhadores e trabalhadoras que veem no seu dia-a-dia os seus direitos serem atacados sistematicamente. Esse é um governo que ameaça a Nação. Jair Bolsonaro é o maior aliado do vírus no Brasil", destacou.

Denúncias

O líder da Oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ), lembrou que o “superpedido” de impeachment unifica vários outros pedidos já apresentados. Ele argumentou que as últimas denúncias envolvendo a compra de vacinas e irregularidades não fazem parte do documento, mas trazem mais força para o pedido. “Este é um governo que vende a vida dos brasileiros por um dólar”, denunciou.

Na avaliação do líder do PCdoB na Câmara, deputado Renildo Calheiros (PE), foi realmente uma tarefa difícil consolidar os fatos que sustentam a peça, porque a toda hora o noticiário é alimentado com fatos novos que levam o Brasil a uma encruzilhada perigosa.

"Mas o país não pode ser entregue ao desmando. São mais de 500 mil mortos pela covid. O governo se negou a comprar vacinas e quando esse movimento acontece ele é cheio de irregularidades. É claro que tudo isso precisa ser investigado", assinalou.

A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), que já foi líder do governo no Congresso no primeiro ano do governo Bolsonaro, afirmou que o endosso ao pedido não é uma questão ideológica. Segundo ela, Bolsonaro desmoralizou o Exército e agiu de maneira inacreditável na condução da pandemia.

“Poderíamos ter 200 mil mortos a menos se tivéssemos vacina, distanciamento e uso de máscara. Temos uma pessoa que tira máscara de bebezinho. Duzentos mil mortos é o equivalente ao que a bomba atômica matou em Hiroshimna e Nagazaki. Ele jogo duas bombas no país. Quem tem amor ao país não pode aceitar isso”, disse.

Negligência e corrupção

A vice-líder da Minoria, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), observou que a situação do governo já era grave, mas piora a cada dia, pois "a cada momento, a cada segundo, novas notícias aparecem''. "Ao invés desse governo se preocupar com a vida, está se preocupando com a negociata. Cada vida valendo um dólar para o bolso de alguém. É roubo, é ladroagem, é negociata, é corrupção e a vida do povo indo embora", sublinhou.

Para o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), o pedido, assinado por diversos partidos políticos, movimentos sociais, juristas, personalidades brasileiras, é "um grito dos brasileiros que protestam contra esse desgoverno". "Não bastasse o crime que a sua gestão produziu com mais de meio milhão de mortes, Bolsonaro é responsável pelo extermínio de empregos", apontou.

A deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) lembrou que as investigações da CPI da Covid no Senado está comprovando que o presidente Bolsonaro deixou montar no seu governo um esquema de superfaturamento na compra de imunizantes para roubar o dinheiro das vacinas que poderiam salvar vidas.

O deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), destacou que, em condições normais, não estaria no mesmo palanque de diversos partidos de esquerda, mas ressaltou que é um momento que une partidos de direita, de centro e de esquerda. “É um pedido de impeachment que possui uma causa legítima, para derrubar esse governo que mais promoveu morticídio, genocídio e destruiu a máquina pública para blindar os próprios filhos”, afirmou.

Mobilização popular

A apresentação do “superpedido” de impeachment também abriu uma nova jornada de manifestações públicas pelo afastamento do presidente. A Campanha Fora Bolsonaro decidiu realizar no mês de julho dois atos pelo impeachment do atual presidente, sendo que o primeiro ocorrerá neste sábado (3). O outro será no dia 24. As mobilizações para o #3JForaBolsonaro já ocorrem em todo o país.

"Bolsonaro vende as nossas estatais e, o pior, negacionista não fez qualquer esforço para a compra de vacinas. A única saída é o impeachment já. Fora Bolsonaro", pontuou a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA).

Já o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA) cumprimentou as entidades, forças políticas, parlamentares e movimentos sociais que encaminharam "um denso e robusto" pedido de impeachment do presidente.

"É a defesa do Brasil, da democracia, da liberdade de imprensa. É a defesa da vacina. É contra a propina, o crime de prevaricação", frisou.









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