Brasília, quarta-feira, 9 de março de 2022 - 15:25 | Atualizado em: 11 de março de 2022 - 8:51
DIREITOS INDÍGENAS
PCdoB reitera luta contra mineração em terras indígenas
Por: Christiane Peres
Parlamentares receberam lideranças indígenas do sul da Bahia e reafirmaram compromisso contra o PL 191/2020. Texto tem previsão de entrar na pauta da Câmara, mas deputados de Oposição tentam barrar avanço da proposta.
Lideranças indígenas do sul da Bahia estiveram na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (9) para pedir apoio na luta contra o Projeto de Lei (PL) 191/2020, que libera mineração em terras indígenas. Parlamentares da bancada do PCdoB receberam o grupo e reiteraram o compromisso da legenda contra a proposta e na defesa dos direitos dos povos originários às suas terras.
“Estamos pedindo apoio contra o PL 191, porque ele é maléfico pela contaminação das nossas águas, das nossas terras, pela exploração e invasão dos nossos territórios”, afirmou o cacique Aruã Pataxó, da aldeia Coroa Vermelha, na Bahia.
Para a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) é preciso impedir o avanço da proposta. “São ameaças cotidianas. Quem quer explorar esses territórios não está preocupado com o futuro. Nossa bancada tem clareza sobre a luta dos povos indígenas pela demarcação de suas terras e é uma bancada que repudia o PL 191. Não é possível realizar mineração em terra indígena. Isso está sendo intuído pelos interesses internacionais de grandes empresas, que atuam no sentido de retirar esses povos de suas terras e não podemos permitir que isso aconteça. Estamos ao lado dos povos indígenas em mais esta luta”, destacou a parlamentar.
O tema voltou à pauta após declarações do presidente Bolsonaro de que a guerra na Ucrânia pode ameaçar a agricultura no país, uma vez que a Rússia é uma das principais fornecedoras de fertilizantes para o Brasil.
No entanto, um estudo do Laboratório de Gestão de Serviços Ambientais da Universidade Federal de Minas Gerais aponta que 2/3 das reservas nacionais de potássio, principal insumo para a produção de fertilizantes, estão fora da Amazônia Legal, bioma que concentra 98% das terras indígenas homologadas no país. Segundo a pesquisa, as jazidas já disponíveis e situadas fora de territórios indígenas poderiam suprir a demanda atual de potássio por mais de 80 anos – o que acaba com a justificativa do governo federal para avançar sobre a liberação de mineração nesses territórios.
“Onde o garimpo chega tem fome, prostituição e miséria. Só quem enriquece são os grandes empresários. É uma tragédia na vida dos povos indígenas. Por isso, reforçamos a luta contra esse projeto”, pontuou a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) durante o encontro.
Grupo de trabalho
Numa reunião de líderes ocorrida nesta terça-feira (8), deputados de Oposição tentaram barrar o avanço da matéria. A proposta é a criação de um grupo de trabalho para discutir o tema por 30 dias antes de a urgência do projeto ser votada em Plenário.
O presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), recebeu a proposta e se dispôs a dialogar com a base governista. No entanto, as mobilizações do governo apontam que os aliados de Bolsonaro devem pressionar pela aprovação da urgência para depois criar o GT.
“Se conseguirmos esse acordo será uma vitória grande, pois aprovada a urgência, não temos controle sobre a pauta. Mas com o GT, assim como aconteceu no caso do piso da enfermagem, conseguimos propor debate e apresentar uma solução em 30 dias. Acredito que a criação desse GT pode nos ajudar a intensificar o debate e a gente consiga rejeitar esse projeto”, afirmou a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).
Para Aguinaldo Pataxó Hã Hã Hãe esse é um momento delicado, pois Bolsonaro tenta acabar com os povos indígenas. “Desde que invadiram nosso país que tentam acabar com os povos indígenas e Bolsonaro, agora, tenta terminar o que começaram em 1500. Lutamos pela vida e precisamos que a sociedade entenda nossa luta, que é a luta de todos nós”, disse.
Manifesto
Além das articulações das lideranças indígenas, deputados e senadores da Frente Parlamentar em Defesa dos Povos Indígenas divulgaram nesta quarta-feira uma carta-manifesto endereçada ao presidente da Câmara pedindo que o PL 191 não seja pautado.
De acordo com o texto, o projeto apresenta problemas evidentes de inconstitucionalidade e injuridicidade; fere a essência do art. 231 da Constituição Federal e os Tratados Internacionais, desconsiderando requisitos fundamentais, sendo antirregimental. “Por esses motivos, essa proposição não pode ir direto para deliberação do Plenário da Casa”, destacam os signatários.
Além disso, o manifesto aponta que a justificativa do governo para avanço da proposta não procede. “Nenhum depósito de potássio localizado na Amazônia está dentro de terras indígenas já homologadas e apenas 11% têm alguma interferência com terras em processo de demarcação. Ou seja, uma quantidade irrisória de reservas de potássio está em territórios indígenas. Solicitamos, senhor Presidente, que o pedido de urgência na tramitação do PL nº 191/2020 não seja pautado. Esta proposição ataca diretamente os direitos dos povos indígenas e a proteção da Amazônia brasileira. Esta legislatura não pode ficar registrada na história como a incentivadora da destruição dos povos e das terras indígenas”, descreve o texto.
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