Declaração de Bolsonaro explicita interferência política e ideológica no Enem

Brasília, terça-feira, 16 de novembro de 2021 - 15:24      |      Atualizado em: 17 de novembro de 2021 - 8:59

EDUCAÇÃO

Declaração de Bolsonaro explicita interferência política e ideológica no Enem


Por: Christiane Peres

Após debandada de técnicos do Inep, órgão responsável pelo exame, Bolsonaro afirma que Enem passa a ter a cara do governo. Deputados condenam afirmação e cobram explicações.

Reprodução da Internet

A declaração de Bolsonaro em Dubai, nesta segunda-feira (15), sobre as questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que será realizado nos dias 21 e 28 de novembro, repercutiram no Parlamento. Em entrevista na saída da Expo 2020, Jair Bolsonaro afirmou à imprensa que agora as questões da prova "começam a ter a cara do governo".

Para deputados do PCdoB, a declaração explicita interferência política e ideológica na formulação do exame, tal qual denunciado pelos servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pela prova, antes da debandada das últimas semanas. Ao todo, 37 servidores deixaram o órgão e afirmaram ter sofrido pressão psicológica e vigilância velada na formulação do Enem deste ano para que evitassem questões polêmica, que poderiam “incomodar o governo”.

“É inaceitável que o presidente afirme que as questões do Enem “começam a ter a cara do governo”. A prova acontece no domingo, após a debandada de servidores do Inep em meio a denúncias de assédio moral, incompetência e ingerência política. A Comissão de Educação da Câmara quer que o ministro da Educação, pastor Milton Ribeiro, explique as declarações do presidente Jair Bolsonaro. Servidores do Inep detalham interferência no conteúdo das questões e entrada de pessoas não autorizadas na área onde são elaboradas as provas. Jair Bolsonaro e sua equipe têm muito a explicar”, afirmou o líder do PCdoB na Câmara, deputado Renildo Calheiros. 

Já o vice-líder da legenda, deputado Orlando Silva (SP), destacou que as declarações revelam que Bolsonaro “participa da quebra de sigilo da prova”. “É criminoso o que acontece no MEC. Por perseguição ideológica, arruinaram uma estrutura de Estado e produziram um fracasso na principal política pública de acesso à universidade. Em qualquer governo, seria caso de demissão do ministro. No atual, é para demissão do presidente. A declaração de Bolsonaro comprova a interferência política e ideológica na formulação do Enem, revelando que o próprio presidente participa da quebra de sigilo da prova. Mais um crime para a coleção do bandido serial”, criticou Orlando.

O deputado Rubens Jr (PCdoB-MA) ironizou a postura do presidente em suas redes sociais fazendo referência ao polêmico escola sem partido – defendido por Bolsonaro. “E Bolsonaro que defendia “escola sem partido” agora interfere no Enem para as questões “terem a cara do governo””, afirmou.

A vice-líder da Oposição, deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), também criticou a intervenção de Bolsonaro. “O Enem não pertence ao partido A ou B. Ao presidente da República cabe cuidar da situação do país, garantir emprego para o povo, garantir alternativas para superar a fome, melhorar a vida do país. É muito grave que o presidente esteja se metendo em questões dessas e não cuide do todo”, lamentou.

A audiência com o ministro da Educação deve entrar da pauta da Comissão de Educação esta semana. Na última, o presidente do Inep, Danilo Dupas, foi ouvido sobre o assunto pelos parlamentares do colegiado, mas disse que gostaria de tratar internamente a questão.
 









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